Poetas Velhos ~ Leminski

Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.

Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A efemeridade do que chamamos amor.

Doente. Sinto-me com febre e com delírio

Enche-se o quarto de fantasmas
Uma visão desenha-se ante mim
Debruça-se de leve…

É uma mulher de sonho e suavidade

E disse-me baixinho:
“Eu me chamo Saudade,
E venho para levar-te o coração doente!

Não sofrerás mais; serás fria como o gelo;

Neste mundo de infâmia o que é que importa sê-lo
Nunca tu chorarás por tudo mais que vejas!”

E abriu-me o meu seio; tirou-me o coração

Despedaçado já sem uma palpitação,
Beijou-me e disse “Adeus!” E eu: “Bendita sejas!…”


Florbela Espanca - Visões da Febre \ Trocando Olhares

Ritual de reflexão - Mente Velha

Se você escutar seus gostos e desgostos, estará escutando sua velha mente. Você precisa fazer coisas contra os próprios gostos, e então crescerá.

O crescimento não é tão suave como as pessoas pensam. Ele é doloroso ... e a maior dor vem quando você tem que ir contra seus gostos e desgostos.
Mas quem fica dizendo: "Disso eu gosto, daquilo eu não gosto?!" É a sua velha mente, e não você. Se ela tiver permissão, não há como mudar. A mente lhe dirá para ficar na velha rotina, porque ela gosta disso. Assim, você precisará sair desse padrão. Algumas vezes você precisa ir contra seus gostos e desgostos.
Sempre que alguém muda um velho estilo, é doloroso, machuca. É como aprender uma nova habilidade. Você conhece muito bem a velha, então tudo segue facilmente. Quando você aprende uma nova habilidade é difícil. E não é somente aprender uma nova habilidade, é aprender um novo ser. Será difícil, o velho precisa morrer para que o novo nasça; precisa partir para que o novo venha. Se você insistir em se apegar ao velho, não haverá espaço para que o novo entre.


Osho Todos os Dias; 365 meditações diárias. - Osho.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

das manhãs.

é quando o ar falta e a densidade das coisas carrega um cheiro peculiar, tenro e quente; é como se o sol estancasse por alguns instantes o seu brilho solar e o mundo perdesse o equilibrio, quedasse imóvel; é uma flor a pendular suas novas pétalas, recém abertas, colhendo o orvalho matinal; ou um sorriso mais ingênuo; as bocas escorrendo líquidas palavras de desejos; como um encontro da Lua e do Sol, no poente da lua cheia. é uma invenção da vida, e um filme de arte falando sobre amor. como se num abraço coubesse todo o mundo, e se num espaço de segundos houvesse vida suficiente para todas as outras rodas da vida.*


Indi

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

inteiro de amor.

Vencido está de amor

Vencido está de amor       Meu pensamento
O mais que pode ser        Vencida a vida,
Sujeita a vos servir e     Instituída,
Oferecendo tudo            A vosso intento.

Contente deste bem,        Louva o momento
Outra vez renovar          Tão bem perdida;
A causa que me guia        A tal ferida,
Ou hora em que se viu      Seu perdimento.

Mil vezes desejando        Está segura
Com essa pretensão         Nesta empresa,
Tão estranha, tão doce,    Honrosa e alta

Voltando só por vós        Outra ventura,
Jurando não seguir         Rara firmeza,
Sem ser no vosso amor      Achado em falta.

                              Luís de Camões ___:

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

As almas dividem o espaço.

Desfolhando a primavera em pedaços desiguais, me vêm Cecília dizendo da vontade de deixar-se cortar por inteira. Não é o receio de esperar outra primavera; é a forma da primavera estar sendo cortada agora em seu auge. Aqui reina um frio quase invernal, em mim e no mundo; as nuvens assumem a forma do meu sangue. Cinza-cimento. Nuvens carregadas de hecatombes amorosas. Aquele cheiro que o vento frio deixa em mim, como se fosse meu próprio soma interno. As lágrimas teimam em não rolar. Talvez a frieza dos meus passos também seja uma forma de me proteger da minha própria natureza sentimental. Vou seguindo abstrata de mim mesma, como se a vida que vivo fosse a vida de outra. E o meu olhar para com ela seja a de um inquisidor que não vacila em sua condenação. Oscilo pelas avenidas do meu querer, ruas escuras e teimosas em suas sinas concretas. Não há espaço para o amor. Não há espaço para tempos eternos perdidos em vão. Somente aquela menina de voz calma, de olhos úmidos com a ressaca do mundo, querendo voltar a ser ávida do prazer, da vida, daquelas loucuras lúcidas lúdicas. Enquanto isso, alguém grita, alguém descontrola, alguém histeria os espassos minutos do tempo em meu nome; e eu sigo vivendo a abstrata idéia de um voltar a caminhar com os passos dos meus pés.


Indi

das poesias cruas


Até o prazer dói.
Dói como fruto
Que desponta
Na ponta do galho,
Caju indeciso.
Esse fruto –
O que está para vir
- precisa de sol
minérios
e da roleta de
chuvas e brisas.
Precisa
Do que não está
na língua
dos profetas para
se tornar doce
caju sem travo,
a essência da fruta.
O amor dói.
Dói e reque
Energia, confluência
De sóis, anzóis
Atados ao cordão
Da melancolia.
Anzóis que carecem
Fisgar a essência
Do ouro.
E ser – apenas ser – dói.
Dói porque tudo
É incerto e impreciso.
Nenhuma certeza
Tem rosto
De pedra.
Depois de sábado
Quem garante
Um infalível domingo?
E depois, “Açafrão”:
um ou dois poemas
de sentido oculto
um galho seco
de açafrão
e a necessidade
de ficar
sóbrio sobre as cinzas
- eis todo o meu saber
se me perguntarem
- por quê?
Vou jurar que não sei
Não sou
Desses que sabem
Talvez um dia
Eu tenha pensado
Conhecer os
Pontos cardeais
Fases da lua e
Frases da rua:
Mas o sol
É sábio e ensina
Todos os dias
Sua lição de incerteza
Uma vez
No oco branco
Da noite
Pensei que
O amanhecer me
Traria pássaros
Fáceis
E obedientes
Falhei –
O ferro quente do erro
O ferro fértil do erro”.

Carlos Machado - Do Livro Pássaros de Vidro

sexta-feira, 10 de junho de 2011

carne viva. alma etérea.

Tão dentro que brincava de esconder
Se achar a saída fosse o único esconderijo
Escorregava alegremente pelas vielas da alma
E apreciava o dom das artérias em converter sangue.
A alma lavada de vermelho lhe retribuía com segredos
Como um pulsar ávido do coração em ser
Como um respirar forte e lento por não conter
Como a vida que esvai-se em cada século de segundo vivido.
A vida tem de pregar peças, adianta-se em futuros
Nos aterrissa em presente oculto, e nos enebria com o passado remoto.
Tão dentro que a vida ali,
pequena por ser dentro, agigantava-se assim mesmo,
quando os olhos se abriam.
A visão do lado inconsciente
abrem-se novas portas e das janelas do corredor principal
nascem sóis e estrelas
à medida que a vida percorre o seu curso.
O tempo é o senhor do Destino
mas o Destino vem em forma de acaso solar.
E este acaso soa como uma cobertura de carne
a proteger-nos das investidas cotidianas.
Contra a carne somente o fel
O que há contra a Alma :!

Indi.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ao vento ...

 Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode 

 explicar-te o vento que me invade. 
 E já perdi o nome ao som da morte, 
 ganhei um outro, livre, que me sabe



 quando me levantar e o corpo solte 

 o seu despojo vão. Em toda a parte 
 o vento há de soprar, onde não cabe 
 a morte mais. A morte a morte explode.



 E os seus fragmentos caem na viração 

 e o que ela foi na pedra se consome. 
 Abandonei-me ao vento como um grão.



 Sem a opressão dos ganhos, utensílio, 

 abandonei-me. E assim fiquei conciso, 
 eterno. Mas o amor guardou meu nome.

Nejar, Carlos. 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

fazer a sua paz *~~


"Um Pensamento de Paz a cada dia. Em Mim há Paz. Sentir Paz.
A Paz do Espírito é a Paz Verdadeira.
A Paz do Indivíduo será a Paz Verdadeira.
Luz na Mente e Paz na Alma."


terça-feira, 31 de maio de 2011

Retalhos { ou A Canção Eterna. }

" ° Retalhos!°


' O nascimento da bela-flor { ou o Som do Silêncio! }'


. Era uma vez uma Canção solta pelo ar que voando serelepe ao som do Vento ouviu o murmúrio atento do Silêncio, cessou o seu vôo longo e sereno, de pronto resolveu parar.
  Uma Canção de notas puras brindava a vida como sendo a música uma oração, e cantarolando um lamento fez perguntas ao Silêncio :
_ Amigo, qual é o dom da paz ?!;
que na escuridão clareia a visão ...
_ Amigo, quem será que o traz,
pausada a nota, estingues a emoção ?
. O Silêncio soprou uma brisa leve que cheirava aos raios de sol, o Tempo Senhor do Destino estancou o momento e lançou um acorde nas asas do pensamento.
  A Canção cantava agora uma nota tão dolorosa, pensando que a pausa do tempo era mais um tormento àquele o qual não saia a voz :
_ No arrebol sinto as nuvens correrem,
uma doce coleção de desenhos de algodão,
  No horizonte vai descendo o Astro-Rei
E ainda não sei
se Ele quem vai
ou a Terra quem vem ...
  Ouço as árvores balouçando
uma dança de sabedoria e adoração!
_ Nos jardins, flores e campinas
douram suas sinas de cheiro e frescor;
não obstante, ainda não ouço
o fio de voz que treme seu interior .
. O Silêncio subiu no topo do mundo,
fez-se Céu Terra e Mar; incandesceu o firmamento
sendo pontinhos brihantes chamado estrelas e
num piscar de olhos lá ia o ruído silencioso
de mais um cometa.
. No alto da sagrada Montanha de neve ouviu-se
um estalido duma gota de lágrima ao chão, no lugar germinara uma semente
e lá brotou uma flor de cores assim :
 ° cada dúzia de pétalas era berilo topázio e cor-de-carmim. °
. A Canção resignou-se em seu ímpeto de achar que o 'silêncio' era falta de dor,
abrindo seus vastos olhos clareiou a visão ao seu redor e notou que aquele
bom moço era um sonhador :
_ Silêncio! Tú eres uma extinta cantiga de louvor,
sua voz forte e macia
só encontra sentido na verdade do amor,
 Tua paz é de multidão a
bailar uma ciranda de pura emoção,
 ° a música que flui da sua Alma
 é a poesia encantada
 para quem ouve o som °
 Teu peito é uma extensa morada
de Vias Infinitas de adorno e de cor .
. No instante do desabrochar dquela flor
a Canção interrompeu seu canto antigo; o Silêncio soprou um verso ao infinito
~ de alegrias mistério e fulgor!
... "


Indi.