Poetas Velhos ~ Leminski

Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.

Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ao vento ...

 Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode 

 explicar-te o vento que me invade. 
 E já perdi o nome ao som da morte, 
 ganhei um outro, livre, que me sabe



 quando me levantar e o corpo solte 

 o seu despojo vão. Em toda a parte 
 o vento há de soprar, onde não cabe 
 a morte mais. A morte a morte explode.



 E os seus fragmentos caem na viração 

 e o que ela foi na pedra se consome. 
 Abandonei-me ao vento como um grão.



 Sem a opressão dos ganhos, utensílio, 

 abandonei-me. E assim fiquei conciso, 
 eterno. Mas o amor guardou meu nome.

Nejar, Carlos. 

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