Poetas Velhos ~ Leminski

Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.

Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

carne viva. alma etérea.

Tão dentro que brincava de esconder
Se achar a saída fosse o único esconderijo
Escorregava alegremente pelas vielas da alma
E apreciava o dom das artérias em converter sangue.
A alma lavada de vermelho lhe retribuía com segredos
Como um pulsar ávido do coração em ser
Como um respirar forte e lento por não conter
Como a vida que esvai-se em cada século de segundo vivido.
A vida tem de pregar peças, adianta-se em futuros
Nos aterrissa em presente oculto, e nos enebria com o passado remoto.
Tão dentro que a vida ali,
pequena por ser dentro, agigantava-se assim mesmo,
quando os olhos se abriam.
A visão do lado inconsciente
abrem-se novas portas e das janelas do corredor principal
nascem sóis e estrelas
à medida que a vida percorre o seu curso.
O tempo é o senhor do Destino
mas o Destino vem em forma de acaso solar.
E este acaso soa como uma cobertura de carne
a proteger-nos das investidas cotidianas.
Contra a carne somente o fel
O que há contra a Alma :!

Indi.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ao vento ...

 Abandonei-me ao vento. Quem sou, pode 

 explicar-te o vento que me invade. 
 E já perdi o nome ao som da morte, 
 ganhei um outro, livre, que me sabe



 quando me levantar e o corpo solte 

 o seu despojo vão. Em toda a parte 
 o vento há de soprar, onde não cabe 
 a morte mais. A morte a morte explode.



 E os seus fragmentos caem na viração 

 e o que ela foi na pedra se consome. 
 Abandonei-me ao vento como um grão.



 Sem a opressão dos ganhos, utensílio, 

 abandonei-me. E assim fiquei conciso, 
 eterno. Mas o amor guardou meu nome.

Nejar, Carlos.