Uma folha em branco. Sente o ar que exala à vida; o bucólico acerto do sol. O vento balouça as árvores que não vê. O dourado sol. Lá fora a vida urge, grita a eterna passagem do tempo. Os carros sobem e descem. A tarde começa a esvair-se em devaneios impróprios. Imprópria, sente o coração arroubar-se em desatinos. Arde o corpo, tempera as têmporas com o contraste do vermelho em pele branca. Seguir os passos das suas letras, avançar contra o tempo à procura do menor pensamento. Apagar; vez em quando, recuar as palavras. Ressaltá-las em fogo. Voar com o som do silêncio. Silêncio .! A qualquer movimento uníssono descobrir latente as diversas formas do silêncio. Escutar o dom dos dias, auscultar o som do corpo. Coração. Mente. A vida vibra cósmica em cada partícula do que é. A melancolia desata os nós do seu sentir. A vida pulsa. Magnânima vida. Reverbera a chama sempre acesa do sentimento. A arte de amar. A verdadeira arte de amar. Soar o divino. Entoar os cânticos das palavras desencontradas. Gritar. Pular. Jogar o corpo contra o vento. Desabotoar os botões do cotidiano. Sorver a vida, a líquida vida da poetisa. Sente a calmaria chegar com a mesma destreza das palavras oblíquas. Finalmente compreende que o fim nunca cessa de chegar. Atrela seus passos ao caminho interno da sua mente, segue o adiante do-sem-fim ...
Indi
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