Poetas Velhos ~ Leminski

Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.

Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Ruptura da carne em fé.

Adormecer lentamente com as lágrimas da manhã. Processar na carne o ócio da fé. Inabalável sentido perfurando as sensações, transcorrendo pausas na viela do coração. Sentimento infiel habita a figura da mulher; outrora sábia conduta, por hora a loucura do tempo. Arremessar contra si as palavras, o silêncio tem lhe causado histórias. Reais salvo-condutos interceptando caminhos inventados. A cabeça comporta intensos sentidos inexistentes. Histórias saídas de vozes ecoando fatos incongruentes. Um sem fim  de marteladas simbólicas, nascendo diferentes personagens
 entre ela mesma e o irreal dos pensamentos. Fulgura o tempo em sussurros lascivos. Gritos transformados em face oculta, leitura carnal, âmago pungente. Breve pausa, nota musical. O silêncio transborda palavras; duras, simbólicas, maçantes, etéreas palavras. Brotam do inconsciente as frases ditas por quaisquer outras, incompreensível trajetória. Um mundo infinito de efêmeras lembranças de vida nenhuma; não obstante vidas vividas em outros mundos sonhados. Sentir a vida do lado imaginário. Qual caminho leva ao portal que separa os mundos?! O sonho, talvez, em sua enevoada façanha celeste. Este mundo real habitado por escolhas incertas, certezas impróprias, fé. Rotura sanguínea, morte adocicada por olhos que brevemente se cerram, enquanto pulsa ainda a vida esmorecida. Frio dilacerante cobre os poros de vida. Perene trajetória entre o céu e o sonho. Penumbra da falsa noite que conduz ao dia livre. Lentamente a manhã esvai-se em conto, àquelas palavras deixo o sono.!
 
 
Indi

Um comentário:

Fabiana Amaral disse...

gente, que isso!!
que obra de arte!!
que sutileza profunda!!
que vocabulário!!
ah, que magia.